Todo Homem precisa de uma MÃE – Parem de matar nossas mulheres
Combater o feminicídio exige mais do que leis: requer educação dentro de casa
Há momentos em que uma sociedade precisa parar, olhar para si mesma e perguntar: até quando?
Hoje é um dia importante para trazer a tona esse pensamento. Hoje é um dia que não serve apenas para celebrar no mundo às mulheres e a importância delas na sociedade. Como diz o poeta: “todo homem precisa de uma mãe”.
O Brasil chegou a esse ponto quando o assunto é feminicídio. Não se trata apenas de números frios em relatórios oficiais, mas de histórias interrompidas — mães, filhas, amigas e companheiras que desapareceram de forma brutal porque alguém acreditou que tinha poder sobre suas vidas.
Os dados recentes são um alerta difícil de ignorar. O país registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número desde que o crime foi tipificado em 2015. Isso representa um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior e significa, na prática, que mulheres continuam sendo assassinadas simplesmente por serem mulheres.
Na última década, mais de 11 mil brasileiras foram mortas por razões de gênero, um número que revela que a violência contra a mulher não é um problema isolado, mas estrutural.
Mesmo com avanços legais, o cenário ainda desafia o país. A Lei Maria da Penha, criada para combater a violência doméstica, mudou a forma como o Estado encara esse tipo de crime — que deixou de ser tratado como um “problema de casal” para ser reconhecido como uma grave violação de direitos humanos.
Nos últimos anos, também houve aumento na resposta da Justiça. O Conselho Nacional de Justiça registrou crescimento de 225% no número de julgamentos de feminicídio entre 2020 e 2024, além da ampliação das medidas protetivas concedidas às vítimas.
O governo federal também tem destinado recursos para enfrentar o problema. Em 2024, mais de R$ 116 milhões foram repassados para ações de combate à violência contra mulheres, incluindo políticas de proteção, fortalecimento das redes de atendimento e programas de prevenção.
Mas nenhuma lei, nenhuma política pública e nenhum tribunal serão suficientes se a mudança não começar antes — dentro de casa.
A verdadeira virada de chave precisa acontecer no cotidiano. Na conversa entre pais e filhos. Na forma como meninos aprendem a lidar com frustrações. No respeito às meninas. No entendimento de que amor não combina com controle, ciúme obsessivo ou violência.
Pais e mães têm um papel decisivo nessa transformação. Ensinar um menino a respeitar uma mulher é tão importante quanto ensinar uma menina que ela não precisa aceitar qualquer tipo de abuso. A educação emocional e ética precisa caminhar lado a lado com a educação formal.
Também é preciso romper o pacto silencioso que ainda protege agressores. Muitas mulheres continuam sofrendo caladas por medo, dependência econômica ou pressão familiar. Especialistas apontam que apenas uma em cada quatro vítimas denuncia a violência que sofre.
Por isso, denunciar é um ato de coragem — e também de solidariedade coletiva. Não é “se meter na vida do outro”. É salvar vidas.
A sociedade brasileira precisa compreender que feminicídio não é um problema das mulheres. É um problema dos homens. É um problema cultural. É um problema de todos nós.
A virada de chave começa quando homens se posicionam contra o machismo, quando amigos não se calam diante de comportamentos abusivos e quando famílias educam seus filhos para a igualdade.
Porque cada silêncio diante da violência pode ser a última oportunidade perdida de salvar uma vida.
E nenhuma sociedade pode se considerar justa enquanto suas mulheres continuam morrendo por serem mulheres.



