Recuo de Hugo Motta sobre anistia expõe intuito golpista e amplia crise entre os Poderes
Ao ceder às pressões do centrão e da extrema direita para pautar anistia a golpistas, presidente da Câmara dá sinal de fragilidade institucional em meio ao julgamento de Jair Bolsonaro no STF, acirrando o embate entre Congresso e Judiciário.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), recuou de sua posição inicial e admitiu nesta terça-feira (2) a possibilidade de pautar um projeto de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. A mudança ocorre em um momento decisivo: o início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF).
A guinada de Motta, pressionado por líderes do centrão e por parlamentares da extrema direita, é vista como uma demonstração clara de alinhamento com interesses golpistas e um ataque direto aos princípios democráticos. A proposta de anistia, defendida abertamente pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é apontada por críticos como uma manobra política para consolidar sua candidatura presidencial e manter a influência bolsonarista no tabuleiro eleitoral.
O movimento ocorre justamente no momento em que o STF analisa a responsabilidade de Bolsonaro na tentativa de ruptura institucional, evidenciando uma tentativa do Congresso de esvaziar a atuação da Justiça. Para setores democráticos, trata-se de uma afronta à Constituição e de um risco de aprofundar a crise entre os Poderes.
Líderes da oposição no Congresso, como o senador Lindbergh Farias (PT), classificaram a anistia como “inconstitucional e irresponsável”, reforçando que qualquer aprovação nesse sentido equivaleria a legitimar ataques ao Estado democrático de direito. Ainda assim, as articulações avançam com apoio explícito de dirigentes do centrão e da cúpula do PL, que enxergam na medida uma moeda de troca política com Bolsonaro e seus aliados.
O recuo de Hugo Motta, portanto, não apenas expõe a pressão de setores conservadores, mas também fragiliza o equilíbrio institucional do país, acentuando a disputa entre o Legislativo e o Judiciário em um dos momentos mais sensíveis da história democrática recente.



