Pedido de “pizza” ao 190 salva mulher de agressão e expõe eficiência da rede de proteção na Bahia
importância do treinamento de atendentes e da articulação entre órgãos de segurança

Um simples pedido de pizza feito ao telefone 190 evitou que mais uma mulher fosse vítima de violência de gênero na Bahia. O caso aconteceu na última quarta-feira (30), em Vitória da Conquista, e terminou com a prisão do agressor. A ligação, atendida pelo Centro Integrado de Comunicações (Cicom), revelou a importância do treinamento e da sensibilidade dos profissionais da rede estadual de proteção à mulher.
Segundo o coordenador do Cicom, major Valmari Júnior, o atendente percebeu que havia algo errado na solicitação e passou a fazer perguntas para confirmar a situação. Ao identificar que se tratava de uma denúncia disfarçada, equipes da Polícia Militar foram acionadas e encontraram a vítima em casa, ameaçada pelo ex-companheiro. O homem resistiu à prisão e foi contido com balas de borracha. A Justiça concedeu medida protetiva à vítima.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), somente este ano o Disque Denúncia recebeu 1.754 relatos de violência contra a mulher. No mesmo período, a Polícia Civil registrou 12.441 ocorrências de ameaça, 7.202 casos de lesão corporal dolosa, 208 episódios de importunação sexual e 51 feminicídios. As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelos números 190, 181 e 180, ou pelos e-mails das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) em diferentes cidades.
A Casa da Mulher Brasileira, que funciona em Salvador desde dezembro de 2023, também integra a rede de atenção às vítimas. Entre janeiro e julho deste ano, o espaço realizou mais de 6,5 mil atendimentos e acolheu mais de 5,2 mil mulheres, oferecendo suporte psicológico, jurídico, alojamento de passagem e delegacia especializada em um só local. Desde a inauguração, 22,6 mil mulheres já foram atendidas. Novas unidades estão previstas para Feira de Santana, Irecê e Itabuna.
Para a comunicadora Alexandra Souza, de 29 anos, casos como o de Vitória da Conquista mostram o quanto a visibilidade e o amparo incentivam a denúncia. “Expor esses casos faz a gente se sentir mais encorajada a falar. Já é um começo, faz a gente se mobilizar mais diante de crimes como esse”, afirmou.



