Politica

Marco Rubio é apontado por aliados da extrema-direita como articulador da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil

Político mexicano ligado ao movimento MAGA afirma que secretário de Estado norte-americano teria participado da operação que levou o senador e sua família aos Estados Unidos

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, foi apontado por integrantes da direita internacional como possível articulador da saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, após a derrota nas eleições presidenciais de 2026. A informação foi divulgada em meio à repercussão da viagem do parlamentar, que ocorreu após determinações judiciais do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Simón Levy, político mexicano ligado ao movimento Make America Great Again (MAGA), associado ao presidente norte-americano Donald Trump, Flávio Bolsonaro, a esposa Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro e as duas filhas teriam desembarcado nos Estados Unidos no início da tarde desta quarta-feira (28).

Levy também afirmou que Trump estaria preparando um anúncio relacionado ao episódio nas próximas horas.

Até o momento, porém, não há confirmação independente de que Marco Rubio tenha organizado ou participado da saída do senador brasileiro, nem de que o governo norte-americano esteja preparando um pronunciamento oficial.

Operação teria recebido o nome de “Alba”

Uma nova informação foi localizada na reportagem da Agência Brasil, publicada na terça-feira (27).

De acordo com a agência pública, Simón Levy afirmou nas redes sociais que a suposta operação de retirada de Flávio Bolsonaro recebeu o nome de Operação Alba.

Em publicação feita por volta das 15h30, Levy atribuiu diretamente a Marco Rubio a articulação da viagem e declarou que Flávio pretendia comandar a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos.

A Agência Brasil procurou a assessoria do senador, mas não obteve resposta até a publicação.

Fontes da Polícia Federal também mencionam possível participação de Rubio

O jornal Correio Braziliense trouxe outra informação relevante. Segundo reportagem de Renato Souza, publicada em 27 de outubro, fontes da Polícia Federal suspeitam que a saída do senador tenha sido coordenada pelo secretário de Estado norte-americano.

A publicação também afirma que Flávio teria utilizado um passaporte italiano para ingressar nos Estados Unidos e que a situação foi comunicada ao ministro Alexandre de Moraes.

Essas informações são atribuídas a fontes ouvidas pelo jornal e não constituem confirmação oficial da participação de Marco Rubio.

Passaporte italiano entra no centro da investigação

O senador possui cidadania e passaporte italianos desde 2023, informação confirmada ao R7 pela Embaixada do Brasil em Roma e divulgada também pelo UOL, com base em declarações do deputado italiano Angelo Bonelli.

Segundo a CNN Brasil, a determinação de Moraes abrangia também a entrega de documentos de viagem de outras nacionalidades que estivessem em nome de Flávio Bolsonaro.

A Polícia Federal, entretanto, não tem competência para cancelar diretamente um passaporte emitido pelo governo italiano.

Investigação envolvendo Willer Tomaz

Flávio Bolsonaro é investigado em um inquérito que também envolve o advogado Willer Tomaz, relacionado a suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Segundo o UOL, a investigação envolve movimentações financeiras e possíveis relações com empresas ligadas ao setor de apostas. As defesas dos investigados negam irregularidades.

Além da entrega dos passaportes, Moraes proibiu o contato entre Flávio e Willer Tomaz.

Possíveis consequências diplomáticas

A eventual participação de autoridades norte-americanas na saída de um parlamentar brasileiro proibido judicialmente de deixar o país poderá abrir uma nova controvérsia nas relações entre Brasília e Washington.

A agência Reuters confirmou, com base em um funcionário de alto escalão do Departamento de Estado, que Flávio Bolsonaro e seus familiares receberiam vistos para entrar nos Estados Unidos.

Essa confirmação, porém, não demonstra que Marco Rubio tenha organizado a viagem ou participado de uma operação para retirar o senador do Brasil.

O caso permanece cercado de questionamentos sobre a participação de autoridades estrangeiras, o uso do passaporte italiano e as consequências jurídicas do descumprimento das determinações do STF.

Fontes adicionais consultadas: Agência Brasil, Reuters, Correio Braziliense, CNN Brasil, UOL, R7 e Congresso em Foco.

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