Mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro repercutem na imprensa internacional
Veículos estrangeiros destacam impacto político e institucional do caso; STF analisa possível envio do episódio ao plenário
A divulgação de mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal, e um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ganhou repercussão na imprensa internacional.
De acordo com as informações divulgadas, Vorcaro enviou mensagens ao contato na mesma semana em que foi preso. O banqueiro teria mencionado a possibilidade de deixar o Brasil e questionado Moraes sobre sua situação. A Polícia Federal identificou 187 interações com um número salvo no celular como “Alexandre de Moraes BRASÍLIA”.
O jornal argentino La Nación classificou o episódio como um “terremoto político e institucional” e apresentou Moraes como o “juiz mais poderoso do Brasil”. Segundo a publicação, as revelações representam um dos maiores desafios enfrentados pelo ministro dentro do próprio Supremo.
A agência internacional EFE ressaltou a projeção mundial de Moraes e também mencionou o ministro Dias Toffoli no contexto do caso Banco Master. A reportagem citou o contrato do banco com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado, e supostas transações imobiliárias envolvendo familiares de Toffoli e pessoas próximas ao banqueiro.
Na Espanha, o El País tratou o episódio como um escândalo e destacou os alegados vínculos entre Moraes e Vorcaro. A publicação também chamou atenção para o silêncio do ministro diante das informações divulgadas.
Nos Estados Unidos, a Bloomberg afirmou que os documentos colocaram Moraes novamente no centro das investigações relacionadas ao Banco Master. Segundo o veículo, o caso pode produzir impactos sobre a credibilidade do STF, instituição da qual o ministro se tornou uma das figuras mais conhecidas.
Dentro do Supremo, o ministro André Mendonça, responsável pela retirada do sigilo das informações, defende que o assunto seja analisado pelo plenário e que uma investigação seja instaurada. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, porém, considerou nulo o pedido apresentado pelo magistrado.
A decisão sobre o envio do caso ao plenário caberá ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. Até o momento mencionado nas reportagens, Moraes não havia se pronunciado publicamente sobre as novas revelações.



