Café do sudoeste recebe R$ 5 milhões em investimentos através do programa Bahia Produtiva

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O município de Barra do Choça, situado a 27 quilômetros de Vitória da Conquista, tem altitude e temperatura ideais para a produção do café arábica, produção esta que tem ganhado visibilidade por sua qualidade. Responsável pela predominância da agricultura familiar na região, a Cooperbac – Cooperativa Mista dos Pequenos Cafeicultores de Barra do Choça, conta com apoio do projeto Bahia Produtiva, desenvolvido pela Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado (SDR).

De acordo com o presidente da Cooperbac, Johara Oliveira, a cooperativa nasceu em 2007 com o objetivo de ajudar os agricultores familiares a venderem o café produzido, agregando valor e tendo a sua própria marca. “Começamos com a industrialização terceirizada, instalamos a nossa unidade de torrefação, moagem e empacotamento de café, e, assim, demos início à industrialização do nosso próprio café, com qualidade garantida. Com o apoio do Bahia Produtiva, a gente consegue qualificar ainda mais a nossa unidade, com máquina de empacotamento a vácuo, além da instalação do laboratório de degustação de café”.

Até 2017, a Cooperbac produzia 117 mil sacas de café por ano e incluía 150 famílias beneficiadas. Atualmente, produz 280 mil sacas de café, contando com 324 famílias associadas. A cooperativa já conta com quatro marcas registradas de café, e os cooperados chegam a receber renda mensal entre R$ 3 mil e R$ 8mil, cada um.

O projeto Bahia Produtiva realizou não só a instalação de bens e equipamentos, mas há também a parte de gestão, capacitação dos agricultores e capacitação dos degustadores que atuam no laboratório, que é um dos maiores laboratórios de análise sensorial do Brasil.

Mateus Tavares é um desses degustadores e foi qualificado para atuar na área classificando diferentes tipos de cafés. Para o jovem, essa atividade é fruto de muito empenho e motivo de orgulho. “Eu e mais 20 adolescentes tivemos a oportunidade de fazer um mini curso de café, e, logo depois, fui selecionado com mais três jovens para participar de um curso completo, de um ano e meio, onde aprendi todas as técnicas para a qualificação de cafés mole, duro, rio e os demais produzidos aqui”.

*Fortalecimento da economia local*

Na região, a produção do café arábica conta com a colheita manual seletiva de frutos maduros e secagem em terreiro coberto, favorecendo a produção de um café aveludado, encorpado e com sabor inigualável.

Segundo Gedeon Santos, dono de fazenda em Barra do Choça, a cooperativa tem ajudado a melhorar a vida do agricultor. “A venda do café e compra dos insumos de maneira coletiva aumentaram os lucros e diminuíram os custos. Através do Bahia Produtiva, conseguimos as estufas para a secagem dos grãos e ainda temos a secadora que está sendo instalada para ajudar os produtores, principalmente, na época das chuvas. Além disso, está chegando o despolpador”, ressaltou.

A Bahia continua sendo o estado com maior contingente populacional dedicado à agricultura familiar. Os avanços, serviços e produtos ofertados pela Cooperbac geram emprego e renda para cerca de nove mil pessoas, direta e indiretamente, fortalecendo a economia local. O café é a principal fonte econômica do município de Barra do Choça.

Josenildo Rodrigues, proprietário da Fazenda Água Viva, garante que os editais estaduais vêm transformando o perfil da agricultura familiar baiana. “Os preços não davam nem para cobrir os custos. Graças à Deus, tenho ganhado muito melhor e posso investir mais na minha terra. A minha média de colheita era de 50 a 70 sacas. Após a ajuda da cooperativa, colho uma média de 150 até 180 sacas. Hoje, compramos os adubos e insumos direto das fábricas com menor preço”.

*Investimento*

A Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) acredita que o pequeno agricultor pode gerar renda suficiente para, inclusive, aumentar o PIB da região. O Governo do Estado, por meio do projeto Bahia Produtiva, está destinando recursos da ordem de mais de R$ 5 milhões para a Cooperbac, para investimentos ainda neste ano de 2021. De acordo com Wilson Dias, diretor da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à SDR, “são R$ 5,4 milhões para vários investimentos, tanto na base de produção apoiando os agricultores a melhorar a produção com estufas e equipamentos, como também dentro da unidade de processamento e torrefação de café. Tem ainda o Laboratório de análises que permite a cooperativa a industrializar, a melhorar a sua produção, embalagens e rótulos para comercializar os seus produtos na Bahia e também em todo o Brasil”.

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