WSL: Gabriel e Ítalo passam, John John confirma que seu caso de amor com Margaret é sério

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O primeiro dia de competições em Margaret River começou com a brasileira Tatiana Weston-Webb vencendo a primeira bateria do dia com ondas na casa dos 8pés, as meninas se jogaram em um Main Break que por vezes se mostrava arredio, mas, nada que elas não pudessem dominar. O roteiro das meninas teve quase nenhuma surpresa, exceto o fato da japonesa Amuro Tsuzuki e a costa-ricense Brisa Hennessy passarem nas primeiras colocações de suas baterias, à frente de Caroline Marks e Stephanie Gilmore respectivamente.

Quando os homens entraram na água o mar começou a crescer ainda mais, ganhando volume e tamanho, o que obrigou os surfistas a executarem abordagens diferentes das etapas anteriores, bom para nós que vimos uma nova estética, pela primeira vez no ano vimos o surfe fugir do recurso as vezes abusivo dos aéreos, em Margaret River a borda e o bom base lip prevaleceram, e ao observar a altura e espessura dos lips, voltar à base depois de chegar neles ou perto deles, era um desafio maior que qualquer aéreo.

Assim como no feminino logo na primeira bateria dos homens tivemos brasileiro na água, Alex Ribeiro fez um jogo de escolhas ruins, ficou vinte e cinco minutos sentado sob a prioridade em um mar que entre uma onda surfada e outra, demandava ao menos cinco minutos, o que resultou em apenas duas ondas para o brasileiro, a segunda, há quatro minutos para o final, foi uma escolha péssima para quem tinha a prioridade e esperou tanto, Alex foi recompensado com um 2.33, o brasileiro assistiu do lineup perigoso do Main Break, Seth Moniz e Kanoa Igarashi avançarem para o Round32, enquanto ele vai ter que pagar o pedágio na repescagem.

Em uma bateria onde cada competidor pegou apenas duas ondas, Filipe Toledo e Peterson Crisanto não deram a menor chance para o aussie Connor O´Leary, isso ficou claro desde a primeira onda da bateria, onde os três remaram com Filipe em uma ponta, Peterson na outra e Connor no meio, pareceu meio que um jogo de equipe, onde Filipe acabou levando a melhor por estar na prioridade da direita, para onde a onda abriu de verdade. Petersinho surfou muito bem, fazendo inclusive a melhor nota do confronto, mas Filipe foi mais regular, passou em primeiro em um mar já na casa dos 10pés, Filipe tem afinidade com o Main Break, em 2017 ele fez semifinal nessa onda, com o mar também nesse perfil, anotando naquela ocasião 15.00 pontos no placar, é bom ficar de olho nele.

Na bateria mais esperada por esse colunista, entrou na água nomes de peso em Margaret, John John Florence tem sido de longe o melhor surfista no Main break nos últimos anos, venceu sem nenhuma margem para qualquer subjetividade duas vezes naquele pico, Michel Bourez conhece os atalhos daquela onda, ele também já venceu ali, quando as condições estão mais adversas o power surfe do Bourez se encaixa perfeitamente aos critérios de julgamento, e Mikey Wright nós sabemos que é um cara destemido, dele nós podemos esperar tudo, inclusive nada. Esse jogo intrigante de possibilidades entrava na água com ondas já chegando na casa dos 12pés.

A bateria caminhava normalmente, com John John e Bourez se alternando em ondas razoáveis enquanto Mikey mantinha a prioridade, até que, na metade da bateria, John John que nas etapas anteriores vinha perdendo nos rounds iniciais, mostrou que seu caso de amor com o Margaret River é uma relação solida, quando eles se encontram toda magia acontece.

Naquele ambiente bucólico, sem posse da prioridade, o havaiano remou para uma direita que aparentemente lhe daria duas manobras, más o olhar apurado de quem tem mais horas de tubo do que provavelmente muita gente tem de surfe, achou um barrel completamente insano e longo, John John passou por dentro de inúmeras seções com a onda chacoalhando, lip grosso, pesado e rápido, para sair sem acreditar, mais ainda a tempo de fazer um belo carvin e atacar a junção de frente, finalizando com uma batida esteticamente muito bonita e bem encaixada, o resultado não poderia ser diferente, o havaiano anotou a primeira nota 10 do ano, era para ser unanime, mais um dos juízes deve ter confundido nota com dinheiro e deu ao champ 9.80, nada que arranhasse minimamente a perfeição da obra de arte que John John pintou. O Havaiano ainda pontuou um 7.50, para fazer a maior média do dia, foi justo, muito justo, justíssimo.

Ítalo Ferreira entrou na água sem poder usar o recurso dos aéreos, pegou uma bateria difícil, com dois locais encrespados, o champ surfou dentro do critério fazendo duas ondas razoáveis, em uma bateria onde o local Jacob Willcox, surfou com segurança, atacando junções montanhosas, o que resultou na primeira classificação para ele, Jack Robinson, o outro local, não parecia conectado com as ondas, talvez pelo fato de não estar surfando em The Box, ainda assim o garoto fez uma pontuação bem próxima a de Ítalo, que avançou na bateria com a segunda colocação.

Gabriel e Adriano também entraram na agua acompanhados de um local, um convidado que não sabíamos o que esperar, mas logo na primeira onda ficou claro que Cyrus Cox ainda não tinha a quilometragem suficiente, ao menos naquelas condições, para acompanhar dois campeões mundiais. A bateria aconteceu sem surpresas, em momento nenhum os brasileiros correram o mínimo risco de serem surpreendidos, Gabriel surfou mais seguro do que habitualmente surfa aquela onda, talvez pelo conjunto de novidades que ele traz esse ano, um técnico sem envolvimento emocional, e um envolvimento emocional que não é técnico. Já Adriano fez o necessário para passar a bateria, surfado com uma prancha com muito bico pra fora, que lhe deu a segurança necessária para finalizar duas boas ondas, Adriano já venceu alí, essa onda encaixa bem em seu surfe, a impressão que tive foi que ele estava apenas afiando as garras para as próximas fases, aguardemos. Mais uma vez vimos ao final da bateria Mineiro e Gabriel amarradões trocando impressões sobre o heat, uma cena linda, que infelizmente não veremos o ano que vem.

Nas baterias seguintes Miguel avançou, Ryan Callinan fez a segunda melhor nota da competição, cravando um 9.93, em uma bateria onde Morgan Cibilic surfou apenas uma onda sem parte crítica, o que determinou sua passagem pela repescagem, além disso, ontem foi o dia do rookie menos lembrado esse ano, o sul-africano Matthew McGillivray, que fez a segunda melhor média do dia, uma média alta, 17.33 pontos carregados de subjetividade.

Em sua melhor nota, 9.00 pontos, Matthew passeou em uma onda de 10pés, com uma rasgada curta na saída e um cutback dividido em duas prestações, na sequência ele atacou o lip despencando limpo, mas assim como Ítalo em Narrabeen, ele aterrissou e logo depois foi engolido pela espuma, ao contrário de Ítalo, ele teve a manobra considerada como completa.

Esse tipo de desajuste no julgamento só alimenta as teorias conspiratórias, que a bem da verdade são apenas teorias, mas é fato que precisamos diminuir a subjetividade no julgamento surfe, o que de verdade não é fácil, mas ao menos em situações como essa, a subjetividade poderia ser minimizada, isso dá para ajustar.

O primeiro dia foi pago e o único tubarão a vista no lineup era havaiano, hoje a competição deve voltar as 20:15, ainda no seeding round masculino, faltam duas baterias para finalizar a rodada e três brasileiros ainda entram na água, Deivid Silva, Caio Ibelli e Yago Dora, fiquem atentos, o mar no oeste australiano está bombando, o show de surfe é certo.

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