A Segunda Guerra Mundial na Bahia

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Por Vinicius Jacob

No início da década de 1940, enquanto a guerra corria solta na Europa, os baianos debatiam nas esquinas, praças e cafés da cidade suas causas e consequências, tentando adivinhar qual o destino que teria o velho continente caso um dos lados, países do Eixo, Alemanha, Itália e Japão ou Aliados representados pelos Estados Unidos, Inglaterra e União Soviética fossem vitoriosos.

Nesse tempo moravam na Bahia, especialmente em Salvador e recôncavo, uma quantidade significativa de alemães e italianos e seus descendentes, muitos deles vindos para cá no final do século XIX e início do século XX em busca de oportunidades de trabalho ou fugindo do Nazismo de Hitler e do Fascismo de Mussolini. Eles eram comerciantes, industriais, professores, médicos, enfim, homens e mulheres que se viram envolvidos nesse conflito, sendo inclusive, muitos desses, vítimas da intolerância e xenofobia do baianos.

Em janeiro de 1942, o ditador Getúlio Vargas, pressionado pela opinião pública nacional e lideranças políticas estrangeiras, decidiu romper relações diplomáticas com os países do Eixo, Itália, Alemanha e Japão, estimulando de certa forma a tensão entres os imigrantes e o povo brasileiro. Essa atitude de Vargas foi o estopim para deflagrar aqui na Bahia, o primeiro movimento de violência contra alemães e italianos, quando no dia 12 de março de 1942, incentivados por comunistas, o povo depredou a famosa charutaria Dannemann, fechou do clube alemão, bem como sua a escola, localizada no corredor da vitória.

As tensões eram muitas e as perseguições lembravam a inquisição. Em 22 de agosto de 1942, o alto-falante do jornal A Tarde anunciou que o Brasil entrara em guerra contra a Alemanha. Nesse instante, populares começaram um grande quebra-quebra na Rua Chile e Av.7 de setembro, invadindo e saqueando diversas lojas de comerciantes italianos e alemães, entre elas a requintada Casa Milano que vendia produtos importados.

Perseguições, ameaças, agressões e torturas se tornaram uma constante na vida desses estrangeiros, que em sua maioria era antinazista, sendo alguns judeus ou filhos e netos alemães que nasceram no Brasil. O terror foi instalado em algumas cidades baianas e as proibições e restrições aos estrangeiros e seus filhos e descendentes beirava a paranoia. Eles eram proibidos de circular pelas ruas, de usarem rádios, eram constantemente vigiados por seus vizinhos e pela polícia. Muitos foram enviados para uma espécie de campo de concentração, situados nos municípios de Maracas, Caetité e Mucujê.

O caso mais emblemático e aterrorizante e que ficou na memória de muitos, foi o brutal interrogatório do alemão Enesto Wolsign, feito pela polícia, sendo esse homem, segundo testemunhas, arremessado do 3º andar da sede da Secretaria de Segurança Pública, que na época funcionava em um prédio na praça da Piedade. Felizmente Enesto Wolsign não morreu, porem seu drama mostra um pouco do terror que era ser Alemão ou Italiano aqui na boa terra.

Com o fim da guerra, em 2 de setembro de 1945, a normalidade começou se restabelecer na Bahia, tendo ficado na memória, as marcas da violência e a história.

Vinicius Jacob é professor e pesquisador, especialista em história da Bahia.

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