Rafael Ariani, o judeu que colocou Salvador nos trilhos

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Por Vinicius Jacob/foto

Em 16 de dezembro de 1840, desembarcava em Salvador, uma das principais cidades da América Latina à época, Rafael Ariani, um italiano de origem judaica, nascido na cidade de Mântua, norte da Itália e que, como milhares de italianos naquele período, fugiu da crise econômica e política de assolava seu país.

Aos 47 anos, Rafael, sua mulher e os dois filhos, Luciano e Giustiniano buscavam acima de tudo, paz para reconstruir suas vidas, pois aqui, na Salvador da Baia de Todos os Santos Católicos, segundo informações recebidas da colônia judaica baiana, os judeus poderiam viver sem as medonhas perseguições ocorridas em uma Itália ainda medieval e em conflitos.

Na freguesia da Conceição da Praia, principal referência comercial de Salvador, epicentro da economia da Província da Bahia, Rafael Ariani estabeleceu sua Casa de Leiloes, na rua nova do Comércio. Ali, Rafael vendia de tudo, animais, objetos variados e requintados vindos das praças comerciais europeias, propriedades, prataria, alimentos importados, bem como gente, isso mesmo, pessoas escravizadas, tornando-se em pouco tempo, o principal leiloeiro de Salvador.

Mas, o que esse judeu obstinado não imaginava, é que, pela sua inteligência e determinação, mudaria a geografia e os hábitos de uma cidade provinciana e atrasada, colocando definitivamente a capital da Bahia, Salvador nos trilhos da modernidade. Em agosto de 1849, o leiloeiro Rafael Ariani arrematou a concessão daquela que viria a ser a primeira companhia de transportes urbanos a circular sobre trilhos, uma linha de ônibus, puxada por tração animal que ligava a cidade baixa ao Bonfim, e também arrematou a concessão para a primeira fábrica de carros de Salvador.

Os bondes do comerciante e empreendedor Rafael Ariane, puxados por tração animal, correndo sobre trilhos de madeira cobertos de aço, cortando ruas e praças, promoveram verdadeira revolução nos meios de transporte coletivo, a maior de todas, comparado o que é hoje a revolução que metrô está fazendo em Salvador, tornando naquele tempo a província da Bahia uma das pioneiras no transporte urbano coletivo.

Desde os bondes sob trilhos puxados por animais, viabilizados pela empresa de Ariani em meados do século XIX, até o moderno metrô de superfície implantado com muito sacrifício e denúncias de desvio de recursos, percebemos que Salvador, cidade que foi a primeira capital do novo mundo, e que irá completar 469 anos de história de existência em 29 de março, continua sofrendo com a falta de qualidade nos serviços de transporte público, bem como o valor exorbitante das tarifas para o padrão aquisitivo do povo soteropolitano.

Rafael Ariani, esse fantástico empreendedor, comerciante e homem de negócios, imigrante italiano de origem judaica, foi ressuscitado das cinzas da história na obra da historiadora Consuelo Novais Sampaio, 50 ANOS DE URBANIZAÇÃO, Salvador da Bahia no século XIX. Acredito como historiador e soteropolitano que ele merece mais reconhecimento e homenagem por parte do poder público, particularmente do governador Rui Costa, homenageando o empreendedorismo inovador desse homem, dando nome a uma das linhas do Metrô de Salvador, afinal, ele, Rafael Ariani com seus próprios recursos colocou Salvador nos trilhos da modernidade.

Professor Vinicius Jacob

Foto: Autoria desconhecida

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