Usar dias frios para negar aquecimento global não faz sentido

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A briga já se tornou habitual, principalmente nas redes sociais: diante de um dia mais frio, uma anormal frente fria ou um inverno mais rigoroso que o normal, negadores do aquecimento global aproveitam para atacar pesquisas sobre o assunto.

Cientistas da área, contudo, apontam justamente o contrário: tais fenômenos meteorológicos são evidência clara de que o aquecimento global existe, de que se trata de uma crise ambiental grave e de que estamos vivendo um período catastrófico, na iminência de um colapso climático.

A revista Nature Climate Change desta segunda-feira (12) traz mais uma pesquisa a se somar às tantas realizadas sobre o tema.

O trabalho – desenvolvido por cientistas da Universidade de Exeter, na Inglaterra, da Universidade de Groningen, na Holanda, do Centro Canadense para Análise Climática, no Canadá, do Instituto Meteorológico Real da Holanda e do Instituto de Pesquisa de Energia e Sustentabilidade em Groningen, também da Holanda – concluiu que mesmo as ondas de frio estão no contexto da crise ambiental do aquecimento global.

Exemplo do Ártico

Os cientistas também apontam que os dias mais frios têm sido exceção, não regra. “Não tem havido um aumento global nos invernos frios, em tendências de longo prazo”, afirma à BBC News Brasil o pesquisador Russell Blackport, da Faculdade de Engenharia, Matemática e Ciências Físicas da Universidade de Exeter.

“Houve algumas regiões que tiveram alguns invernos particularmente severos na última década, mas estes são aumentos de curto prazo, que refletem a variabilidade natural. Tendências de longo prazo mostram que os invernos frios extremos estão se tornando menos frequentes, e isso é consistente com o aumento das temperaturas globais.”

Diversos estudos científicos comprovam que o planeta ficou 1 grau Celsius mais quente nos últimos 100 anos. Métricas mostram que, desde os anos 1980, dias com recorde máximo de temperatura têm sido mais frequentes do que dias com recorde mínimo de temperatura – independentemente da região do planeta.

Contudo, um dia mais quente no Ártico pode trazer frio para regiões contíguas. Ou seja: para a Europa e a América do Norte. É um fenômeno físico: o calor acaba fazendo com que o ar frio, antes concentrado no Ártico, se espalhe por outras regiões.

E isso acarreta frentes frias fora do comum – como a onda de frio ocorrida na Europa em maio deste ano, com direito a neve em diversas localidades no período que deveria ser o auge da primavera.

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