Moro deixa perguntas sem respostas

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O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, prestou esclarecimentos em sessão na Câmara dos Deputados, nesta terça-feira, 02, sobre os diálogos atribuídos a ele, quando era juiz, e procuradores da Lava Jato – entre eles o chefe da força tarefa de Curitiba, Deltan Dallagnol – que vêm sendo divulgados pelo site The Intercept Brasil.

Investigação sobre Glenn Greenwald

O principal deles foi se a Polícia Federal – vinculada ao Ministério da Justiça – solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) – ligado à Economia – um monitoramento sobre as movimentações financeiras de Glenn Greenwald, o jornalista responsável pelos vazamentos das conversas. A informação foi publicada pelo site O Antagonista. Indagado, Moro não confirmou, mas também não negou.“A Polícia Federal tem absoluta autonomia. Eu não interfiro nessas investigações específicas. Não é o caso, para mim. Eu não participo dessas investigações específicas”, disse o ex-juiz.

Conversas com advogados de defesa

Assim como no Senado, Moro não entrou no mérito dos conteúdos da mensagens, alegando que não poderia reconhecer sua autenticidade e que não lembra dos diálogos, ao mesmo tempo em que evita dizer que são falsos e afirma que o que foi vazado até agora não compromete sua atuação como juiz. Para ele, conversas entre magistrados e procuradores é “trivial”. O ministro, no entanto, não respondeu se destinava aos advogados de defesa o mesmo tratamento dado aos membros da acusação, dizendo apenas que chegou a dar algumas sugestões a advogados durante audiências.

Mensagens por áudio com procuradores

Moro também não respondeu à pergunta do deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) se ele havia trocado mensagens de áudio com procuradores, uma vez que, segundo o deputado, seriam mais difíceis de ser esquecidas. Diante da insistência de Freixo, o ministro novamente disse que as mensagens podem ter sido adulteradas.

Negação das mensagens

O deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) indagou se Moro, não só não confirmava, mas negava “peremptoriamente” alguma das mensagens. O ex-juiz disse que há indícios de adulteração em algumas mensagens.

Relação com advogado

Em um dos momentos de maior ofensiva do ministro, ele respondeu à deputada Gleisi Hoffmann (PT-RS) que o questionamento se ele mantinha uma conta no exterior era “uma maluquice” e que “repudiava” a pergunta da presidente nacional do PT sobre suas relações com o advogado trabalhista Carlos Zucolotto – a quem o doleiro Tacla Duran, denunciado na Lava Jato, atribui supostos diálogos para intermediar sua delação. “Não sou eu que sou investigado por corrupção”, respondeu.

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