Baú Histórico da Bahia – O Centro Histórico por Vinicius Jacob

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Por: Vinicius Jacob

Olá amigos e leitores do Bahia Press. Fui convidado pelo jornalista Casar Marques, essa figura extraordinária para assinar uma coluna semanal, quando vamos falar sobre História da Bahia e muitas outras coisas interessantes. Portanto quero iniciar com o maior presente que Salvador dispõe, que é seu Centro Histórico.

Um território fantástico no coração político da primeira capital do Brasil e que passou décadas esquecido pelo poder público, o Pelourinho e demais regiões do centro histórico começou sua revitalização em setembro de 1983, após anos de abandono. Nesse espaço colonial, o que restou da Salvador barroca, predominava na segunda metade do século XX, a criminalidade desenfreada, tráfico de drogas e principalmente, a prostituição.

Seus casarões coloniais eram disputados por famílias, muitas delas advindas da seca que assolava o sertão baiano, que, sem perspectiva, vinham para a capital buscar melhores condições de vida, encontrando no centro da metrópole soteropolitana, condições básicas para a sobrevivência.

Segundo pesquisa desenvolvida pelo Ipac, a prostituição se concentrava nas localidades do Julião, Misericórdia, Preguiça e Maciel, ocupando os casarões seculares, divididas por meias paredes de madeira e tabiques de meia altura, pequenos espaços insalubres, habitados por dezenas homens, mulheres e crianças que, de forma direta ou indireta, viviam e se serviam da promiscuidade social. Famílias numerosas compartilhavam o mesmo espaço físico, disputando banheiros coletivos e dormindo sem a menor condição de higiene.

Para termos uma ideia, a maioria das mulheres prostitutas, fora no passado empregadas domésticas, muitas analfabetas vindas do interior do estado, principalmente da zona rural, meninas que chegaram a Salvador, trazidas pela pobreza e que encontraram na prostituição a única oportunidade de trabalho para se manter e sustentar a família. Salvador por ser uma cidade portuária, atraia centenas de pessoas em busca de oportunidades.

Embora as críticas, muitas delas duras à forma como foi conduzida a revitalização do centro histórico de Salvador, com a desocupação dos casarões e expulsão dos habitantes, convém lembrar que os benefícios turísticos e de preservação desse fantástico património histórico e secular supera quaisquer comentários quanto à forma que foi conduzida.

Nessa foto, podemos observar a arquiteta modernista Lina Bo Bardi em visita a Salvador a convite do então prefeito da cidade Mário Kertész, isso em 1986, para recuperar arquitetonicamente o Centro Histórico. Lina Bo Bardi foi responsável por importantes obras no Brasil, destacando aqui o Museu de Arte de São Paulo, o Sesc Pompeia e aqui na Bahia o Solar do Unhão. Aqui, a arquiteta está acompanhada por Marcelo C. Ferraz e Roberto Pinho no Cruzeiro de São Francisco.

Acervo: Instituto Lina Bo Bardi

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