Guerra no Surf Baiano

In Bahia, Surf On
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Por: www.tadandoonda.com

A Federação Baiana de Surf, entidade máxima constituída no surf da Bahia, emitiu no final da manhã desta segunda-feira (15), o primeiro comunicado no ano de 2018. No comunicado 001/2018, a Federação que é presidida por Carlos Alberto Silva Abdalla, deixa claro que nenhuma instituição poderá realizar evento de surf competição no estado da Bahia que não seja homologado pela Federação Baiana de Surf.

” (…) Federação Baiana de Surf (FBS), sediada à Avenida Santos Dumont, nº 6216, Loja 37, Cep: 42.700-000, Lauro de Freitas-Bahia, no uso das atribuições legais ao qual o presente estatuto desta entidade me confere, venho através deste informar a todas filiadas, não filiadas, organizadores de eventos estaduais, nacionais e internacionais, ainda a quem possa interessar em todo litoral do Estado da Bahia, que: todos os eventos estaduais, Nacionais e Internacionais, deverão passar pelo crivo de chancela e avaliação da entidade máxima do Surf no Estado, seguindo os preceitos regimentais estatutários, constitucionais e hierárquicos, destes entes e organizadores, para com esta entidade, Federação Baiana de Surf (FBS).”

Talvez os leitores de fora de Salvador e até mesmo alguns surfistas competidores do estado da Bahia não saibam, é que há duas décadas, o surf baiano passou a ter dono. Ninguém pode realizar um evento que não seja do interesse daqueles que estão à frente do esporte.

O Circuito Tá Dando Onda – Verão sem Fim 2018, que tem como realizadores um grupo de 18 surfistas, empresários, jornalistas do segmento, integrantes de associações etc, informou, através dos meios de comunicação e das redes sociais, no final de 2017, que vai realizar um circuito de surf em 4 etapas, em cidades de 4 regiões costeiras do estado da Bahia no ano de 2018, como não acontece desde o final da década de 1980.

O Circuito não tem nenhuma espécie de vinculo com as entidades diretivas do esporte. Independente e profissional, tem, em primeiro lugar, a missão de trazer a dignidade de volta ao surfista profissional e a esperança aos surfistas amadores das divisões de base do surf.

Com apoio do governo da Bahia, os integrantes do C-18 (Circuito Tá Dando Onda), conseguiram a chancela e o patrocínio para a realização das suas 4 etapas. Uma realização tão importante para o desenvolvimento do turismo, da cultura, do esporte e lazer para o estado da Bahia.

O Circuito Tá Dando Onda está buscando o apoio da iniciativa privada e de empresas de fora do trade do surf baiano, despertando o interesse de empresas que há muito tempo não investem no esporte.

A pergunta é: “por que a Federação Baiana e seus pares estão trabalhando tanto para que esse circuito não seja realizado?”

Algumas outras questões despertam curiosidade:

  1. Por que a possibilidade de pessoas, grupos ou empresas que não estejam ligados politicamente à Federação ou ao esporte, captarem recursos públicos, incomoda tanto à Federação Baiana de Surf e a seus pares?
  2. Por que o presidente da FBS, de forma ditatorial, negou a homologação do circuito Tá Dando Onda – Verão Sem fim, sem reunir e consultar suas instâncias deliberativas?
  3. Como uma Federação sem diretoria, sem entidades filiadas que permitam um processo democrático mínimo, sem projetos, sem recursos, pode se atribuir poder de entidade máxima do surf, e ainda manter-se no poder por tantos anos?
  4. Que lei no Estado da Bahia, na União Federal ou no Planeta Terra garante ou pressupõe que uma entidade como a FBS possa legislar ou interferir em ações de grupos empresariais autônomos?

São apenas algumas perguntas que gostaríamos que a FBS ou seus pares respondessem.

Entramos em contato com o grupo C-18 que está à frente do circuito Ta Dando Onda  – Verão Sem Fim, e perguntamos por que a FBS não aceitou o pedido de homologação do Circuito Ta Dando Onda.

“Vamos lançar e realizar o projeto Verão Sem Fim – Tá Dando Onda 2018 de forma totalmente independente. Por razões políticas institucionais particulares, a Federação Baiana de Surf negou a homologação do circuito. E o projeto também não poderá contar com o aval da Confederação Brasileira de Surf. 

Nosso circuito visa o desenvolvimento do esporte, o aumento da qualidade técnica das competições e a melhoria das condições dos eventos para os atletas, sejam super legends, amadores ou grommets.

Nós queremos fazer um trabalho de excelência, envolvendo diversos setores públicos e privados dos segmentos de turismo, cultura, juventude, comunicação e marketing, movimentando o potencial deste grande trade do surf na Bahia.

De acordo com nossos surfistas, o surf baiano está num estado letárgico há mais de 2 décadas, com uma concentração injusta das políticas, de investimentos e da renda nas mãos de meia dúzia de pessoas, enquanto a maioria está só olhando a banda passar. Queremos perverter esta ordem e ver o surf crescer em todo o estado!”

A questão é muito mais profunda do que apenas a homologação do circuito. O surfista e presidente da Associação de Surf da Costa do Dendê, Dalmo Meireles, explicou nas redes sociais, em um grupo de surfistas profissionais, as razões do surf da Bahia estar vivendo um momento tão difícil:

” Tenho mais de 3 décadas competindo e não houve nada de melhoras para os atletas. Pelo contrário, a Bahia-competição está cada vez piorando mais… Os produtores de eventos, sem acesso aos recursos, ficam numa situação muito difícil… Inaceitável as inscrições dos atletas pagarem, além da premiação, os custos do evento… Sem contar as estruturas, cronogramas e etc. Principalmente nos eventos principais, ditos etapas do circuito estadual. Ou seja, os verdadeiros protagonistas, os atletas são sempre tratados como meros coadjuvantes. Nada melhora… Mas o dinheiro do estado, onde está?? E para piorar vem essa politicagem… Pela manutenção do poder que há muitos anos é aplicada na Bahia!!!”,

Se formos analisar com cautela, podemos constatar que as federações de diversas modalidades esportivas no Brasil passam por investigações sérias comandadas pelos Ministérios Públicos de vários estados.

As federações acabaram virando capitanias hereditárias, onde seus representantes se revezam no poder, muitas vezes, passando a presidência de pais para filhos, entre irmãos, sobrinhos e afilhados políticos.

O Estado não é culpado, pois exerce o seu papel e faz o que determina a lei. As prestações de contas de convênios, patrocínios, ou similares são aprovadas e a princípio não existe nada de irregular. Mas se uma investigação na origem dessas prestações de contas for efetivada com a participação do Ministério Público e da Polícia Civil ou Federal, muitos esqueletos podem cair do armário.

Na Bahia a guerra está instalada. Uma federação que tem o monopólio dos eventos de surf, proíbe que outras entidades realizem eventos. Ameaças estão circulando nas redes sociais. Juízes de surf estão sendo impedidos de julgar etapas de eventos não homologados, sobre a pena de “nunca mais julgarem um evento importante no estado, ou, espantosamente, em qualquer outro estado do Brasil. Boicote geral!

Surfistas profissionais são obrigados a pagar valores altos em taxas de inscrição para competirem em eventos homologados, porém, sem nenhuma participação financeira da Federação Baiana de Surf.

Atletas amadores, jovens talentos, ficam esquecidos sem nenhum amparo ou projeto social da entidade máxima do esporte na Bahia.

Associações de Surf de cidades pequenas, como Itacaré (27 mil habitantes) estão produzindo duas etapas do circuito brasileiro, e duas etapas do mundial WQS, homologadas pela Federação Baiana de Surf e Confederação Brasileira de Surf, inclusive com a utilização dos anéis olímpicos.

E as outras entidades? E as outras cidades? Por que apenas uma associação foi escolhida para receber todos os recursos do surf na Bahia? O surf, a partir de 2020, também é esporte olímpico. Os olhos do mundo vão se voltar para o surf de outra maneira.

A partir de 2018, o surf do Brasil  vai receber recursos milionários para fomentar o esporte no país.

No Brasil já temos dois campeões mundiais de surf pelo WQS. E a Bahia? Por que a Bahia também não pode democratizar o esporte e fazer dele um meio de inclusão social?

Na Bahia apenas meia dúzia de empresários estão sendo beneficiados. Os outros estão vendo a banda passar. A guerra pelo poder no surf baiano está instalada.

Foto: Gazeta Esportiva

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